Ensino Híbrido - Blended Learning
O Ensino Híbrido também conhecido como blended learning, significa algo
misturado, combinado, ou seja, é uma modalidade de educação que chegou junto
com a era digital e que envolve os modos de ensino online – onde o aluno geralmente
busca o conhecimento sozinho através da internet, e offline – no qual este
estuda em grupo, com a mediação do professor. Ou seja, é uma mistura do modelo
pedagógico de metodologias tradicionais com o modelo online vivido pela maioria
dos educandos fora do ambiente escolar, permitindo assim aos alunos uma forma
de aprender diferente da tradicionalmente utilizada na escola.
Nesta modalidade de ensino, o professor
vai mediar o processo educacional guiando os alunos a partir de objetivos
predeterminados fazendo-os trilhar caminhos através de pesquisas e acesso a
materiais de estudo, abandonando as atividades mecânicas, sem sentido e
repetitivas. Sendo assim, a escola/professor deve fazer com que o uso do papel
e das telas seja algo complementar e, portanto, é necessário buscar condições
didáticas para a apropriação dos conhecimentos, permitindo aos alunos
tornarem-se agentes criadores garantindo que o ensino se torne mais
colaborativo e comprometido com a realidade vigente.
Figura 1 - Caracterização do Ensino Híbrido
Fonte: https://observatorioderedessociais.blogspot.com/2016/11/o-ensino-hibrido-como-novo-modelo.html
Dentro deste contexto, "não cabe a escola" apenas proporcionar o acesso à internet, mas ter uma estrutura para evitar a
frustração de alunos e professores, no qual estes tentam fazer algo de
inovador, mas não conseguem, visto que a tecnologia é um canal para
transformações, mas ela não pode fazer isso sozinha. Não se pode pensar que o
professor deixará de ter papel significante no processo educacional, pois este
é o mediador das discussões; é importante dar a ele as ferramentas tecnológicas
e o treinamento para o uso das tais, de maneira a potencializar sua ação na
educação.
O professor, como já foi dito, também assume uma nova atitude. Embora, vez por outra, ainda desempenhe o papel do especialista que possui conhecimentos e/ou experiências a comunicar, no mais das vezes desempenhará o papel de orientador das atividades do aluno, de consultor, de facilitador da aprendizagem, de alguém que pode colaborar para dinamizar a aprendizagem do aluno, desempenhará o papel de quem trabalha em equipe, junto com o aluno, buscando os mesmos objetivos; numa palavra, desenvolverá o papel de mediação pedagógica (MASETTO, 2000, p.142)
O Ensino híbrido permite que o trabalho do
professor siga uma proposta com foco na personalização do ensino aprendizagem
que envolve 4 modelos criados pelo Instituto Clayton Christensen em 2012:
1.
Modelo
virtual aprimorado (enriquecido): o aluno realiza seu curso parte presencial e
parte a distância. Sendo necessária sua presença em dias predeterminados para
sessões de aprendizagem com o professor. Muito utilizado na modalidade EAD
(Educação à Distância)
2.
Modelo
flex: o aluno deve cumprir uma lista de atividades personalizadas e pode
realizá-las on-line, nos laboratórios da escola ou pelas estações. O aluno
escolhe o que fará primeiro e também o tempo de realização.
3.
Modelo
à la carte: neste modelo, o aluno recebe do professor os objetivos e monta sua
própria agenda para cumpri-los. Um exemplo de agenda que pode ser utilizado é o
kanban.
4.
Modelo
rotacional: há um revezamento entre ensino presencial e à distância. É o modelo
mais utilizado e subdivide-se em:
·
Rotação
por estações – os alunos fazem um rodízio por estações realizando atividades,
sendo que, pelo menos uma das estações tenha atividade on-line.
·
Laboratório
rotacional – assim como no modelo de rotação por estação, os alunos fazem
rodízio, porém, uma das estações acontece no laboratório de informática.
·
Sala
de aula invertida – o aprendizado neste modelo, ocorre na escola e fora dela
(na casa do aluno ou onde este desejar). Neste modelo, o aluno tem contato com
o conteúdo antes da ministração do professor, que aproveita o encontro
presencial para debates sobre o assunto, tirar dúvidas e praticar exercícios.
·
Rotação
individual – neste modelo o aluno tem um roteiro individualizado e não
necessita passar por todas as estações disponíveis.
De acordo com o referido Instituto
(Christensen 2012), as inovações híbridas seguem um padrão distinto com quatro
características:
1.
Ele
apresenta tanto a nova quanto a antiga tecnologia.
2.
Ele
busca atender aos clientes já existentes.
3.
Ele
procura ocupar o espaço da tecnologia pré-existente. Como resultado, a
obrigação de se atingir um desempenho que supere as expectativas dos clientes
existentes é bastante alta, uma vez que o híbrido precisa realizar o trabalho
pelo menos tão bem quanto o próprio produto anterior.
4. Seu uso tende a ser mais simples e ele não reduz significativamente o nível de renda e/ou conhecimento necessários para comprá-lo e operá-lo.
Através do ensino híbrido acontece uma valorização na relação entre professor, aluno e tecnologia que por sua vez favorece a troca de conhecimentos, o aprendizado colaborativo, a interação, além do que, nos momentos offline, há as atividades em grupo que valorizam o estudo coletivo e auxiliam na construção colaborativa do conhecimento através das interações interpessoais.
Aprender com os
pares torna-se ainda mais significativo quando há um objetivo comum a ser
alcançado pelo grupo. Colaboração e uso de tecnologia não são ações
antagônicas. As críticas sobre o isolamento que as tecnologias digitais
ocasionam não podem ser consideradas em uma ação escolar realmente integrada,
na qual as tecnologias como um fim em si mesmas não se sobreponham à discussão
nem à articulação de ideias que podem ser proporcionadas em um trabalho
colaborativo (BACICH; MORAN, 2015, p. 45).
Dentro deste contexto, o professor do século XXI precisa buscar sua atualização, as mudanças de sua forma de ministrar suas aulas de forma a engajar os alunos para que estes sejam os autores e coautores do seu aprendizado.
REFERÊNCIAS
BACICH,L; MORAN, J.
Aprender e ensinar com foco na educação híbrida. Revista Pátio, nº 25, junho,
2015, p. 45-47. Disponível em: http://www.grupoa.com.br/revistapatio /artigo/11551/aprender-e-ensinar-com-foco-na-educacao-hibrida.aspx.
Acesso em 27/11/2018
CHRISTENSEN, C. M.; HORN,
M. B.; JOHNSON, C. W. Inovação na sala de aula: como a inovação disruptiva muda
a forma de aprender. Porto Alegre: Editora Bookman, 2012.
MASETTO, Marcos T.
Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In: Moran, José Manuel (org.). Novas
tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000.
Nota: Parte de um artigo publicado pela autora (Fabíola Martins) na revista do ICLOC e no livro do CAEduca2019.

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