O BI e o ERP na Gestão Pedagógica
Pessoas tomam decisões
a todo momento, estas são as mais diversas possíveis, sejam para sanar um
problema, responder a um questionamento, tomar uma direção; o que se sabe é que
essas decisões geralmente são norteadas por crenças, valores, conhecimentos técnicos,
experiências e que podem resultar em sucesso ou fracasso de pessoas, empresas e
até de um país inteiro.
Dentro de uma
organização a tomada de decisão é primordial, afinal o que a liderança realizar
é o que decidirá o futuro desta organização, e nos dias atuais é necessário um
grande domínio de ferramentas que auxiliem e tornem o processo de liderança
mais eficiente e eficaz na tomada de decisões.
Business Intelligence - BI
Durante muitos anos, impérios foram construídos e empresas se ergueram,
tendo como estratégias de decisão apenas a intuição de seus líderes, suas
vivências e o conhecimento de mercado, porém, o avanço das tecnologias mudou o
rumo dos negócios nas organizações a partir do momento que se iniciaram as
competitividades e que o mercado mudou.
Então, para dominar esse novo cenário tornou-se necessário que a tomada
de decisão não dependesse apenas de deduções dos gestores, mas sim, de
informações assertivas que auxiliassem na coleta, gerência e distribuição de
dados e que garantissem a melhor tomada de decisão, surgindo assim o Business
Intelligence (BI).
Na figura abaixo, vemos a evolução do BI através de uma linha do tempo,
baseada nas informações contidas no livro Decisões com B.I. de Primak (2008).
Figura 1 - Linha do tempo do BI
Fonte: Autoria própria, 2020
Barbieri (2001), define Business Intelligence - BI como um
‘guarda-chuva’ conceitual que capta conhecimentos, informações e dados
facilitando a modelagem destes através de ferramentas analíticas permitindo
assim, que as informações sejam estruturadas de maneira a atender as
necessidades da empresa.
Ou seja, com o BI a organização busca tomar as melhores decisões e
analisar se os investimentos feitos estão gerando resultados, para isso coleta
dados, analisa, organiza e mantém o monitoramento, por isso não pode ser
chamado de ferramenta, mas de um processo que depende de softwares para que as
entregas dos valores sejam feitas aos líderes e gestores de maneira correta
atendendo as expectativas destes.
Se faz necessário entender que o BI não traz consigo uma receita própria
informando o que o gestor deve fazer, nem o que acontecerá em sua organização,
ele apenas analisa os dados simplificando o trabalho das pessoas envolvidas,
tornando possível seu entendimento e a busca pela melhor tomada de decisão.
Os dados obtidos são armazenados em um banco de dados moldado
especificamente para atender a demanda da empresa, essa modelagem chama-se
“Modelagem Dimensional” e permite que os dados coletados sejam trabalhados sem
perda de performance, melhorando os relacionamentos entre empresa, fornecedores
e clientes além da melhoria dos processos.
Planejamento de Recursos da Empresa - ERP
Quando de
seu surgimento, os computadores permitiram que várias tarefas fossem feitas com
maior facilidade, porém, com o avanço tecnológico, foi percebido que além dessa
automação das tarefas, os computadores também geravam informações, estas sempre
existiram, no entanto através dos sistemas de informação, foi possível criar
novas funcionalidades e permitiram o alcance do sucesso de empresas.
É o que
confirma O’Brien (2006, p. 3 e 7): “Sistemas e tecnologias de
informação tornam-se componentes vitais quando se pretende alcançar o sucesso
de empresas e organizações e, por essa razão constituem um campo de estudo
essencial em administração e gerenciamento de empresas”.
Neste sentido, entende-se que os
sistemas de informação são ferramentas importantes para a automação da gestão
empresarial, afirmativa comprovada por Souza e Saccol (2003) que dizem que as
tecnologias que geram informações ERP são muito utilizadas por grandes e médias
empresas no Brasil e no mundo, isto porque é um sistema de gestão empresarial
no qual é possível reunir informações de todas as áreas da empresa em um único
banco de dados, reduzindo custos, mão de obra e garantindo maior confiança para
a tomada de decisões.
O ERP surgiu da evolução do MRP II (Material Requeriments Planning), que por sua vez foi uma evolução do MRP/MRP I, surgido no anos 70. O papel do MRP segundo Costa (2007, p. 355) “é dar suporte à decisão sobre a quantidade e o momento do fluxo de materiais em condições de demanda e de serviços”. Após os anos 80 e 90 aconteceu a ampliação desse conceito e passou a ser o MRP II visto também como um plano global para a manufatura. Na sequencia evolutiva, no final dos anos 90, temos o ERP que auxilia na administração de várias atividades de diferentes áreas do negócio.
Porém, como todo
sistema, o ERP possui vantagens e desvantagens dentre elas temos como vantagens
a redução de custos, otimização do fluxo, fim da redundância de atividades,
melhoria da comunicação interna; e como algumas desvantagens o custo – que
dependendo do tipo de sistema escolhido, pode ser bem alto, e a cultura das
pessoas que compõe a empresa – em geral existe resistência.
No entanto, a
utilização de sistemas ERP traz excelentes ganhos para as empresas no que tange
a tomada de decisões, trato com os parceiros e fornecedores devido a quantidade
e a qualidade das informações disponíveis que trazem benefícios para empresas
de qualquer tamanho, inclusive as pequenas.
Rezende (2001), afirma
que, para uma gestão eficiente através do uso de ERP, é necessário que as
informações cheguem da infraestrutura aos recursos humanos e que estes sejam
capazes de usufruir dessa gama de informações disponíveis no software de ERP.
Diante do exposto até aqui em relação ao BI e ao ERP, o tópico a seguir trará uma ligação entre estes e a gestão escolar visando a importância destes para a tomada de decisão.
A importância do BI e do ERP para a gestão escolar na tomada de decisão
Quando se
fala em gestão escolar é importante entender a escola como organização social
que tem como objetivo a formação humana e não somente a transmissão de
conhecimentos e que a administração escolar deve criar meios para que os
envolvidos no processo educativo sejam ouvidos e possam expressar seus desejos
e tenham seus conflitos esclarecidos de maneira a ultrapassar os desafios e não
ignorá-los. O administrador escolar “[...] deve fazer com que as pessoas gostem de
assumir desafios; resistam aos obstáculos, não percam seu foco e, realmente,
saibam o que poderão alcançar com seu trabalho” (Parente, 2008, p. 9).
Nesse
sentido o gestor necessita de meios que facilitem sua administração, uma vez
que além de lidar com os recursos humanos, este também lida com a parte
material e documental, e por mais que as tarefas sejam divididas entre setores
como financeiro, secretaria, coordenação pedagógica, recursos humanos, entre
outros, é função do gestor verificar se todos estão alinhados e desempenhando
bem seu papel para que a escola cumpra com sua finalidade básica e caso algo
não esteja indo bem, ele possa tomar a decisão mais assertiva.
Então, para auxiliar nesse processo a escola
pode se apropriar do BI para auxiliar na coleta dos dados. Vamos tomar como
exemplo uma escola que neste momento atípico está atuando na modalidade
híbrida, onde tem alunos indo de maneira presencial e outros que permanecem em
casa com aulas através de plataformas virtuais. Com o BI é possível coletar
dados para gerar indicadores como percentual de assiduidade do aluno na
plataforma, a quantidade de tempo que este permanece online, em qual disciplina
ele passa mais tempo, se há interação entre os alunos, quais respostas ele
acertou, quais teve dificuldades para responder através das tentativas de
resposta, entre outras.
Enfim, há
inúmeras informações que o BI pode coletar e com isso permitir a melhor tomada
de decisão em relação a abordagem dos conteúdos dos componentes curriculares
que necessitam de mais atenção de maneira a buscar o melhor aproveitamento dos
alunos. Isso sem falar nas adaptações particulares de ensino dependendo da
necessidade do aluno e controle financeiro.
Um
software de ERP vai concentrar todas as informações de uma empresa/escola em um
único local, facilitando assim o acesso a informações; através dele, é possível
gerar relatórios financeiros, de material; ele apresenta indicadores de
desempenho que permitem ao gestor a tomada de decisão.
Devemos
entender também que um ERP atenderá toda a comunidade escolar, uma vez que
pais, alunos e escola têm acesso às informações contidas nesse software, sendo
que cada um só pode acessar o que está liberado através de sua matrícula. Um
exemplo bom é no setor financeiro, onde o gestor poderá dispor do controle de
contas a receber, a pagar, do controle das mensalidades e com isso verificar
como andam as finanças da escola e se for necessário criar um plano de ação
para captação e regularização dos inadimplentes; e no caso de um componente
curricular específico, através das notas obtidas pela turma em determinado
conteúdo, é possível analisar junto com o professor e criar uma nova estratégia
para a retomada do conteúdo caso tenham sido altos os números de reprovação.
O BI pode
auxiliar a criar relatórios mais específicos pelo fato dele gerar indicadores
que o ERP não possui, como por exemplo a data mais comum de pagamento em atraso
e com isso o gestor poderá negociar com os pais a data mais adequada para
estes.
Figura 2- Fluxo de geração de indicadores
Fonte: Autoria própria, 2020
É necessário que uma escola aposte em uma ferramenta de BI auxiliada pelo uso de
um ERP para poder tomar decisões assertivas não só para o futuro da instituição,
mas para gerar entrega de produto (educação) de valor.
Para a gestão escolar o uso das
informações obtidas pelo ERP e agrupadas pelo BI, facilita na tomada de
decisões em todos os setores de uma escola, pois, pode-se contabilizar o
material de expediente do setor administrativo, o calculo da inadimplência no
setor financeiro, a utilização da plataforma educacional pelos alunos, as notas
obtidas em cada componente curricular entre outros.
Porém,
há algumas desvantagens que podem ser o impedimento do sucesso para a
implantação de um ERP tais como o valor alto a ser pago pelo produto e a falta
de interesse dos funcionários em aprender a trabalhar com o software, no
entanto as inúmeras vantagens superam e trazem consigo um grande legado para a
tomada de decisões de um gestor educacional.
Enfim, é salutar que toda escola
tenha um software ERP e faça uso correto das informações disponíveis para tomar
as melhores decisões visando não só o sucesso da empresa, mas o sucesso do
processo educacional como um todo.
Referências Bibliográficas
Parente.
F. F. T. (2008). Uma atitude que requer ética e competência. Gestão em Rede.
Brasília, DF: CONSED/MEC, nº 90.
Rezende, A. D. (2001). Tecnologia
da Informação: Aplicada a Sistemas de Informação Empresariais. 2 ed. São
Paulo: Atlas.
O’brien, J. A. (2006). Sistemas
de informação e as decisões gerenciais na era da Internet. 2. ed. Tradução
Célio Knipel Moreira e Cid Knipel Moreira. São Paulo: Saraiva.
Souza, C A. de; Saccol, A. Z.
(Org.). (2003). Sistemas ERP no Brasil: (Enterprise Resource Planning):
teoria e casos. São Paulo: Atlas.
Barbieri, C. (2001). BI –
Business Intelligence: Modelagem e Tecnologia. Rio de Janeiro, Axcel Books.
Costa, E. A. (2007). Gestão
Estratégica: Da empresa que temos para a empresa que queremos. São Paulo:
Editora Saraiva.
Primak. F. V. (2008). Decisões
com B.I. (Business Intelligence). Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna.


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